XIº DOMINGO DO TC
Introdução
No Domingo passado estávamos diante do poder ressuscitador de Deus por meio de Elias e por meio de Jesus. Hoje nos deparamos com o poder perdoador de Deus. Nesse domingo ainda fazemos eco à festa do Sagrado Coração de Jesus, celebrada nesta última sexta-feira. A misericórdia de Deus se manifesta na história da humanidade e na história de cada um de nós. O grande sinal do perdão de Deus é Jesus. Como nos diz Paulo: “Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando ainda éramos pecadores” (Rm 5,8). Ou como no texto de hoje: Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim. Esta minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e por mim se entregou. (Gl 2, 20). Deus se compadece da humanidade e reata os laços rompidos pelo pecado, enviando seu próprio Filho para unir de novo a humanidade com Deus. E este reatamento se dá na cruz. Este é o preço pelo qual fomos resgatados! Uma visão de um Deus que condena é uma visão distorcida de Deus. Deus é misericórdia e compaixão. Fazer esta experiência de Deus misericórdia e compaixão é acolher o Deus revelado por Jesus.
Misericórdia Senhor, misericórdia...
Davi é acusado de pecado. Sabemos por quê: articulou um perverso golpe para ficar com a mulher de Urias, seu general. A historinha que Natã conta a Davi e que não está no texto anunciado é muito interessante. Começa assim: “O Senhor mandou o profeta Natã falar com Davi. Natã se apresentou e disse a Davi: ‘Havia dois homens numa cidade: um era rico e o outro era pobre. O rico tinha muitos rebanhos de ovelhas e bois. O pobre tinha só uma ovelha, uma ovelhinha que ele havia comprado. O pobre a criava e ela foi crescendo com ele, com seus filhos, comendo do seu pão, bebendo de sua vasilha e dormindo no seu colo. Era como filha para ele. Ora, chegou uma visita à casa do homem rico, e este não quis pegar nenhuma de suas ovelhas ou vacas para servir ao viajante que o visitava. Então ele pegou a ovelha do homem pobre e a preparou para a sua visita’. Davi ficou furioso contra esse homem, e disse a Natã: ‘Pela vida do Senhor quem fez isso merece a morte. Por não respeitar o que pertencia a outro, deverá pagar quatro vezes o valor da ovelha’”. (2Sam 12, 1-5). A partir daqui dá para entender o inicio da primeira leitura e seus desdobramentos.
“Quem é este que até perdoa pecados?”
A mulher pecadora pública é acusada de pecado. O núcleo central do Evangelho de hoje são os versículos 48-50 – “E Jesus disse à mulher: ‘Seus pecados estão perdoados. ’ Então os convidados começaram a pensar: ‘Quem é esse que até perdoa pecados? ’ Mas Jesus disse à mulher: ‘Sua fé salvou você. Vá em paz!’”.(Lc 7, 48-50). Diante de Jesus estão o fariseu e a mulher. Ele conhece a vida do fariseu e da mulher. Só que o fariseu tem o coração fechado. A mulher não! A mulher tem um encontro de amor e perdão, e, na fé, encontra salvação.
Conclusão
O Senhor é misericórdia e compaixão. Apesar de nossos pecados Ele vem ao nosso encontro com o perdão. Fez assim para com o seu povo. Fez assim para com a humanidade. Faz assim com cada um de nós. Basta o arrependimento. Deus está sempre pronto a perdoar. As histórias do capitulo 15 de Lucas (A ovelha perdida, a moeda perdida e o filho perdido) nos ajudam a perceber como Deus age diante do pecado. O perdão é sempre uma festa! Basta que tenhamos o arrependimento de Davi e a coragem da mulher em ir à busca do perdão.
Fonte: Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br
07/06/2010
DEUS É O DEUS DA VIDA!
Introdução:
Neste Domingo, ao retomarmos a caminhada litúrgica dos Domingos do Tempo Comum, nos deparamos com o mistério da morte. Algo sem explicação humana, mas com uma conotação transcendente na dimensão da fé. Em nossas cidades existem muitos caminhos que levam morte. Caminhos para todas aquelas formas e estilos de vida que privilegiam a chamada “cultura da morte”. Cultura que assassina principalmente nossos jovens, que mata nossas crianças e que coloca nossa vida em constante risco. São jovens que colocam suas vidas no limite; arriscam-se em carros e motos em nossas rodovias e estradas. São crises emocionais que terminam em tragédias. São também caminhos de morte a crescente desestruturação em tantas famílias, que transformam suas casas em brigas, discussões, desilusões, depressão e muita violência que, não poucas vezes, também termina em morte. É preciso reverter esses caminhos.
Sinais de Esperança
Elias é um homem de Deus. Capaz de restituir a vida onde ela já não mais existia. Jesus é o grande profeta que vem restituir a vida, diante do cortejo da morte. Deus não quer a morte. A vontade de Deus é que todos tenham vida e vida plena (cf Jo 10,10). Homens de Deus, profetas que anunciam uma condição nova para a humanidade. Infelizmente a humanidade construiu para si um fosso que leva à morte. Deus quer reverter esse caminho. E somos nós hoje a anunciar essa possibilidade a todos.
Eucaristia, fonte de vida.
Quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia, nos reunimos para celebrar a vida. “Eu sou o pão da vida” (Jo 6, 35) diz Jesus que nos alimenta. O alimento que aqui recebemos é fonte de vida. Pela sua morte-ressurreição, memória que fazemos na Eucaristia celebrada, Jesus quer de nós continuadores de sua missão. Como Elias devemos estar levando esperança e vida verdadeiras, pois o verdadeiro profeta não é portador da morte para o povo. O sinal de que o profeta anuncia a palavra de Deus é o fato de ele ser portador de vida. Jesus ao ressuscitar o filho da viúva vem anunciar um novo tempo: onde não haverá mais morte, mais dor, mais desolação.
Concluindo.
Diante de nós estão dois caminhos: um que leva à morte e outro que leva à vida. Mais ainda: podemos estar conduzindo as pessoas à morte ou conduzindo para a vida. Fazer opção pela “cultura da morte” é optar pela violência, pelas drogas, pelos carros e motos em alta velocidade... Jesus se apresenta como caminho verdade e vida!(cf Jo 14,6). Ele é vida! E quer que sejamos instrumentos de vida. Nossa Eucaristia deve se traduzir em gestos concretos que produzam vida. Salvar vidas – esta é a tarefa de cada um de nós. Vidas humanas e a natureza. Eucaristia na prática.
Fonte:
Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br
Neste Domingo, ao retomarmos a caminhada litúrgica dos Domingos do Tempo Comum, nos deparamos com o mistério da morte. Algo sem explicação humana, mas com uma conotação transcendente na dimensão da fé. Em nossas cidades existem muitos caminhos que levam morte. Caminhos para todas aquelas formas e estilos de vida que privilegiam a chamada “cultura da morte”. Cultura que assassina principalmente nossos jovens, que mata nossas crianças e que coloca nossa vida em constante risco. São jovens que colocam suas vidas no limite; arriscam-se em carros e motos em nossas rodovias e estradas. São crises emocionais que terminam em tragédias. São também caminhos de morte a crescente desestruturação em tantas famílias, que transformam suas casas em brigas, discussões, desilusões, depressão e muita violência que, não poucas vezes, também termina em morte. É preciso reverter esses caminhos.
Sinais de Esperança
Elias é um homem de Deus. Capaz de restituir a vida onde ela já não mais existia. Jesus é o grande profeta que vem restituir a vida, diante do cortejo da morte. Deus não quer a morte. A vontade de Deus é que todos tenham vida e vida plena (cf Jo 10,10). Homens de Deus, profetas que anunciam uma condição nova para a humanidade. Infelizmente a humanidade construiu para si um fosso que leva à morte. Deus quer reverter esse caminho. E somos nós hoje a anunciar essa possibilidade a todos.
Eucaristia, fonte de vida.
Quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia, nos reunimos para celebrar a vida. “Eu sou o pão da vida” (Jo 6, 35) diz Jesus que nos alimenta. O alimento que aqui recebemos é fonte de vida. Pela sua morte-ressurreição, memória que fazemos na Eucaristia celebrada, Jesus quer de nós continuadores de sua missão. Como Elias devemos estar levando esperança e vida verdadeiras, pois o verdadeiro profeta não é portador da morte para o povo. O sinal de que o profeta anuncia a palavra de Deus é o fato de ele ser portador de vida. Jesus ao ressuscitar o filho da viúva vem anunciar um novo tempo: onde não haverá mais morte, mais dor, mais desolação.
Concluindo.
Diante de nós estão dois caminhos: um que leva à morte e outro que leva à vida. Mais ainda: podemos estar conduzindo as pessoas à morte ou conduzindo para a vida. Fazer opção pela “cultura da morte” é optar pela violência, pelas drogas, pelos carros e motos em alta velocidade... Jesus se apresenta como caminho verdade e vida!(cf Jo 14,6). Ele é vida! E quer que sejamos instrumentos de vida. Nossa Eucaristia deve se traduzir em gestos concretos que produzam vida. Salvar vidas – esta é a tarefa de cada um de nós. Vidas humanas e a natureza. Eucaristia na prática.
Fonte:
Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br
07/05/2010
Pés no Chão
VIº DOMINGO DA PÁSCOA
1. Introdução
Estamos chegando ao fim de nossa caminhada neste tempo litúrgico Pascal. Vamos começar um novo momento na liturgia. Daqui a pouco ouviremos os adeuses de Jesus, estaremos na expectativa do Espírito Derramado e vamos continuar remando. Mais ou menos como na exclamação de Samuel: “... até aqui nos ajudou o Senhor”. (I Sam 7,12). Mais ou menos porque sabemos que Ele não nos deixa “ao Deus dará”. Ele nos toma pela mão, Ele nos conduz, Ele nos dá seu Espírito, Ele está no meio de nós. Chegou a hora de entendermos que as coisas a serem assumidas devem ser assumidas na comunhão, diante da realidade que nos cerca. Não adianta muito teorizar. É preciso por em prática as propostas do Ressuscitado. Pés no chão.
2. “Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” (Jo 14, 27)
O texto está dentro do chamado primeiro discurso de adeus ou da consolação. São aconselhamentos para que sejam seguidos depois da partida. A proposta é de encorajamento. Jesus sabe o que vai enfrentar. Jesus sabe o que vamos enfrentar. Por isso é preciso guardar a sua palavra, aguardar o Espírito Consolador, acolher a paz no meio de toda essa turbulência. E ter a certeza em nosso coração: “Vou, mas voltarei a vós.” (Jo 14, 28)
3. “Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo,...” (At 15, 28)
A organização da Igreja enfrenta o primeiro grande conflito. Manter as tradições dos judeus ou abrir mão de tudo para acolher os pagãos convertidos? A questão básica é ser fiel à unidade, manter a comunhão. Não poderia existir cristão de primeira categoria que veio do judaismo e de segunda categoria que veio do paganismo. Pés no chão! O que se quer é autenticidade. Afastar-se daquilo que é do mundo. E os apelos do mundo hoje são constantes: são os chamados contra valores do Evangelho. Agir na liberdade dos filhos de Deus (cf Rom 8, 21) e não na busca de “valores” que não estão em sintonia com o Reino. Basta lembrar as propostas da CF/2010 – Economia e Vida – “Voces não podem servir a Deus e ao Dinheiro”. (Mt 6, 24)
4. Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus,... (Ap 21,10)
A bela proposta de Apocalipse nos sugere a necessidade de já construirmos aqui uma cidade onde haja condições de Vida. Na verdade não uma cidade, mas o Reino de Deus implantado entre nós. A luz é Jesus. O templo é Jesus. As leis que regem esta nova condição nem estão lá no alto (inalcançável) e nem nas condições puramente humanas (cheia de contra valores). É obrigação nossa construir essa nova realidade, de acordo com o traçado de Deus.
5. Conclusão
A liturgia de hoje nos sugere por mãos à obra. Como os Apóstolos: sair de Jerusalém, enfrentar os desafios e espalhar a Boa Nova do Reino para as atuais Frigias, Panfílias, Antioquias, Sírias, Cilicias... Nossa Pastoral da Cidade quer de nós um novo modo de enfrentamento. Não mais judeus circuncidados e pagãos neo-convertidos, mas desafios ainda maiores. Pés no chão. Conosco caminha, para nos ajudar a enfrentar as tempestades o Espírito Prometido. Não estamos sozinhos!
Fonte:Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br
1. Introdução
Estamos chegando ao fim de nossa caminhada neste tempo litúrgico Pascal. Vamos começar um novo momento na liturgia. Daqui a pouco ouviremos os adeuses de Jesus, estaremos na expectativa do Espírito Derramado e vamos continuar remando. Mais ou menos como na exclamação de Samuel: “... até aqui nos ajudou o Senhor”. (I Sam 7,12). Mais ou menos porque sabemos que Ele não nos deixa “ao Deus dará”. Ele nos toma pela mão, Ele nos conduz, Ele nos dá seu Espírito, Ele está no meio de nós. Chegou a hora de entendermos que as coisas a serem assumidas devem ser assumidas na comunhão, diante da realidade que nos cerca. Não adianta muito teorizar. É preciso por em prática as propostas do Ressuscitado. Pés no chão.
2. “Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” (Jo 14, 27)
O texto está dentro do chamado primeiro discurso de adeus ou da consolação. São aconselhamentos para que sejam seguidos depois da partida. A proposta é de encorajamento. Jesus sabe o que vai enfrentar. Jesus sabe o que vamos enfrentar. Por isso é preciso guardar a sua palavra, aguardar o Espírito Consolador, acolher a paz no meio de toda essa turbulência. E ter a certeza em nosso coração: “Vou, mas voltarei a vós.” (Jo 14, 28)
3. “Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo,...” (At 15, 28)
A organização da Igreja enfrenta o primeiro grande conflito. Manter as tradições dos judeus ou abrir mão de tudo para acolher os pagãos convertidos? A questão básica é ser fiel à unidade, manter a comunhão. Não poderia existir cristão de primeira categoria que veio do judaismo e de segunda categoria que veio do paganismo. Pés no chão! O que se quer é autenticidade. Afastar-se daquilo que é do mundo. E os apelos do mundo hoje são constantes: são os chamados contra valores do Evangelho. Agir na liberdade dos filhos de Deus (cf Rom 8, 21) e não na busca de “valores” que não estão em sintonia com o Reino. Basta lembrar as propostas da CF/2010 – Economia e Vida – “Voces não podem servir a Deus e ao Dinheiro”. (Mt 6, 24)
4. Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus,... (Ap 21,10)
A bela proposta de Apocalipse nos sugere a necessidade de já construirmos aqui uma cidade onde haja condições de Vida. Na verdade não uma cidade, mas o Reino de Deus implantado entre nós. A luz é Jesus. O templo é Jesus. As leis que regem esta nova condição nem estão lá no alto (inalcançável) e nem nas condições puramente humanas (cheia de contra valores). É obrigação nossa construir essa nova realidade, de acordo com o traçado de Deus.
5. Conclusão
A liturgia de hoje nos sugere por mãos à obra. Como os Apóstolos: sair de Jerusalém, enfrentar os desafios e espalhar a Boa Nova do Reino para as atuais Frigias, Panfílias, Antioquias, Sírias, Cilicias... Nossa Pastoral da Cidade quer de nós um novo modo de enfrentamento. Não mais judeus circuncidados e pagãos neo-convertidos, mas desafios ainda maiores. Pés no chão. Conosco caminha, para nos ajudar a enfrentar as tempestades o Espírito Prometido. Não estamos sozinhos!
Fonte:Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br
30/04/2010
Carteira de Identidade
Vº DOMINGO DA PÁSCOA
1. Introdução.
Nossa caminhada pascal vai ao encontro das coisas concretas acontecidas por causa da Ressurreição. A primeira Comunidade entendeu que não poderia ficar apenas na contemplação estática do Ressuscitado, mas era preciso arregaçar as mangas e fazer com que o projeto dEle fosse executado. Como Deus “escreve certo por linhas tortas”, aproveitou-se da perseguição aos cristãos depois da morte de Estevão para provocar a diáspora cristã – fugiram de Jerusalém e foram levar a Boa Nova aos vizinhos... O rosto do Ressuscitado deve ser o nosso rosto. A identidade do Ressuscitado deve ser a nossa identidade. A ação do Ressuscitado deve ser a nossa ação.
2. Identidade.
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”. (Jo 13,35)
A insistência do amor na proposta de Jesus, sobretudo nesta sentença, mostra que seremos identificados pela maneira como nos relacionamos. Ser discípulo, ser seguidor se amar. Amar uns aos outros. Só assim seremos seguidores do Mestre. A Igreja quer de nós hoje que sejamos discípulos/missionários. E a Carteira de Identidade será o amor. Segundo conta Tertuliano (Apolog. 39), os primeiros cristãos tomaram tão a sério estas palavras do Senhor, que os pagãos exclamavam admirados: “Vejam como eles se amam!”. Isso era motivo de conversão dos pagãos.
3. Semeando Comunidades.
“Contaram-lhe tudo o que Deus fizera por meio deles e como havia aberto a porta da fé para os pagãos.” (At 14, 27)
A diáspora cristã faz com que se saia de Jerusalém e se leve a proposta de Jesus para os povos vizinhos. Isso ajuda a expansão do cristianismo. Sobretuto Paulo tem esse ardor em fundar Comunidades, viajar, escrever cartas, organizar as coordenações nos diversos lugares. Mas isso não é fácil. “Encorajando os discípulos, eles os exortavam a permanecerem firmes na fé, dizendo-lhes: ‘É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus.’” (At 14, 22).
4. Metamorfose.
“Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes”. (Ap 21, 4)
A leitura continuada de Apocalipse nesse tempo pascal nos estimula ao enfrentamento das dificuldades. Escrito no tempo das primeiras perseguições, descreve como a Igreja era perseguida. Muitas Comunidades até desapareceram. Mas os que perseveram são consolados por Deus. Um tempo novo, “um novo céu e uma nova terra” – (2 Pd 3,13 e Ap 21,1). Transformados para transformar.
5. Conclusão.
“Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21, 5)
Tudo o que ouvimos hoje na Palavra de Deus merece ser transformado em prática na nossa vida. Viver de verdade o AMOR. No sentido pleno. Dando testemunho. Não só em palavras mas em ações concretas. E sobretudo sendo discipulos/missionários, anunciando a Boa Notícia de Jesus. E estaremos então criando condições para acontecer um novo céu e uma nova terra, sendo agentes para tornar novas todas as coisas.
Fonte: Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br
1. Introdução.
Nossa caminhada pascal vai ao encontro das coisas concretas acontecidas por causa da Ressurreição. A primeira Comunidade entendeu que não poderia ficar apenas na contemplação estática do Ressuscitado, mas era preciso arregaçar as mangas e fazer com que o projeto dEle fosse executado. Como Deus “escreve certo por linhas tortas”, aproveitou-se da perseguição aos cristãos depois da morte de Estevão para provocar a diáspora cristã – fugiram de Jerusalém e foram levar a Boa Nova aos vizinhos... O rosto do Ressuscitado deve ser o nosso rosto. A identidade do Ressuscitado deve ser a nossa identidade. A ação do Ressuscitado deve ser a nossa ação.
2. Identidade.
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”. (Jo 13,35)
A insistência do amor na proposta de Jesus, sobretudo nesta sentença, mostra que seremos identificados pela maneira como nos relacionamos. Ser discípulo, ser seguidor se amar. Amar uns aos outros. Só assim seremos seguidores do Mestre. A Igreja quer de nós hoje que sejamos discípulos/missionários. E a Carteira de Identidade será o amor. Segundo conta Tertuliano (Apolog. 39), os primeiros cristãos tomaram tão a sério estas palavras do Senhor, que os pagãos exclamavam admirados: “Vejam como eles se amam!”. Isso era motivo de conversão dos pagãos.
3. Semeando Comunidades.
“Contaram-lhe tudo o que Deus fizera por meio deles e como havia aberto a porta da fé para os pagãos.” (At 14, 27)
A diáspora cristã faz com que se saia de Jerusalém e se leve a proposta de Jesus para os povos vizinhos. Isso ajuda a expansão do cristianismo. Sobretuto Paulo tem esse ardor em fundar Comunidades, viajar, escrever cartas, organizar as coordenações nos diversos lugares. Mas isso não é fácil. “Encorajando os discípulos, eles os exortavam a permanecerem firmes na fé, dizendo-lhes: ‘É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus.’” (At 14, 22).
4. Metamorfose.
“Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes”. (Ap 21, 4)
A leitura continuada de Apocalipse nesse tempo pascal nos estimula ao enfrentamento das dificuldades. Escrito no tempo das primeiras perseguições, descreve como a Igreja era perseguida. Muitas Comunidades até desapareceram. Mas os que perseveram são consolados por Deus. Um tempo novo, “um novo céu e uma nova terra” – (2 Pd 3,13 e Ap 21,1). Transformados para transformar.
5. Conclusão.
“Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21, 5)
Tudo o que ouvimos hoje na Palavra de Deus merece ser transformado em prática na nossa vida. Viver de verdade o AMOR. No sentido pleno. Dando testemunho. Não só em palavras mas em ações concretas. E sobretudo sendo discipulos/missionários, anunciando a Boa Notícia de Jesus. E estaremos então criando condições para acontecer um novo céu e uma nova terra, sendo agentes para tornar novas todas as coisas.
Fonte: Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br
24/04/2010
UMA PEDRA NO MEIO DO LAGO
IVº DOMINGO DA PÁSCOA
Introdução
Sempre no quarto domingo da Páscoa nos deparamos com o Bom Pastor. Depois dos diversos encontros com o Ressuscitado, Cristo se apresenta como o Pastor. Os que reconhecem o Ressuscitado o seguem. Ele é o Pastor verdadeiro. O que dá a VIDA. Nos dois sentidos: dá a sua própria vida e dá vida às ovelhas.
Eu dou a vida eterna para as minhas ovelhas.
“Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem.” (Jo 10,27)
Por duas vezes, no capitulo 10 de Jo Jesus insiste: “Eu sou o Bom Pastor!”. A comparação para nós, num mundo urbano parece ser sem sentido. Mas nos transportemos ao mundo rural do tempo de Jesus e de muitos de nós que viemos do interior. Não na dimensão poética apenas, mas no sentido real de ser pastor: cuidado, condução, conhecer pelo nome, manhãs de inverno, noites de tempestades... O BOM Pastor estará sempre atento. Dá a vida. Dar a vida: pela sua morte e nos dando a graça. Conteúdo prenhe de significado pascal.
Eis que nos voltamos para os pagãos.
“Desse modo, a palavra do Senhor se espalhava por toda a região.” (At 13, 49)
A Igreja que começa percebe a necessidade de pastorear. Fazer “pastoral”. No sentido literal. Ir ao encontro das ovelhas. Sair de Jerusalém e levar a Boa Noticia para todos. A imagem é a da pedra jogada no meio do lago: como quando alguém atira uma pedra no centro de um lago, e a água quieta se agita, formando círculos cada vez maiores que vão se multiplicando. A força da Palavra é assim: vai se espalhando. E chega até nós. E não podemos engavetá-la. Nossa obrigação é levar adiante a obra do Bom Pastor e dos Apóstolos. Muita gente está a nossa espera.
O Cordeiro-Pastor apascenta e conduz para as águas da vida.
“Pois o Cordeiro que está no meio do trono será o pastor deles; vai conduzi-los até às fontes de água da vida. E Deus lhes enxugará toda lágrima dos olhos.” (Ap 7, 17)
Quem segue o Bom Pastor vai receber a recompensa. Apesar das tribulações. Não mais fome. Não mais sede.
Conclusão.
Poderemos transmitir a Boa Nova em primeiro lugar dentro do nosso âmbito familiar e, depois, fora dele a outros, e estes por sua vez a outros, em ondas sucessivas - como a pedra que cai no lago formando círculos concêntricos cada vez mais amplos. Assim a verdade a respeito de Jesus fica no seu verdadeiro lugar e se expande com os seus benéficos efeitos a toda pessoa e lugar. Penso que é anseio de todos nós que estas verdades não se detenham no nosso reduzido círculo, mas que se espalhem com toda a força e a ressonância de que estão dotadas. Anunciar o Bom Pastor. Anunciar a Igreja. Anunciar o fim das tribulações, tristezas, fome, sede, o fim das agruras da vida... "Deus enxugará toda lágrima dos olhos!"
Fonte: Mons. Antonio Romulo Zagotto
Introdução
Sempre no quarto domingo da Páscoa nos deparamos com o Bom Pastor. Depois dos diversos encontros com o Ressuscitado, Cristo se apresenta como o Pastor. Os que reconhecem o Ressuscitado o seguem. Ele é o Pastor verdadeiro. O que dá a VIDA. Nos dois sentidos: dá a sua própria vida e dá vida às ovelhas.
Eu dou a vida eterna para as minhas ovelhas.
“Minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço, e elas me seguem.” (Jo 10,27)
Por duas vezes, no capitulo 10 de Jo Jesus insiste: “Eu sou o Bom Pastor!”. A comparação para nós, num mundo urbano parece ser sem sentido. Mas nos transportemos ao mundo rural do tempo de Jesus e de muitos de nós que viemos do interior. Não na dimensão poética apenas, mas no sentido real de ser pastor: cuidado, condução, conhecer pelo nome, manhãs de inverno, noites de tempestades... O BOM Pastor estará sempre atento. Dá a vida. Dar a vida: pela sua morte e nos dando a graça. Conteúdo prenhe de significado pascal.
Eis que nos voltamos para os pagãos.
“Desse modo, a palavra do Senhor se espalhava por toda a região.” (At 13, 49)
A Igreja que começa percebe a necessidade de pastorear. Fazer “pastoral”. No sentido literal. Ir ao encontro das ovelhas. Sair de Jerusalém e levar a Boa Noticia para todos. A imagem é a da pedra jogada no meio do lago: como quando alguém atira uma pedra no centro de um lago, e a água quieta se agita, formando círculos cada vez maiores que vão se multiplicando. A força da Palavra é assim: vai se espalhando. E chega até nós. E não podemos engavetá-la. Nossa obrigação é levar adiante a obra do Bom Pastor e dos Apóstolos. Muita gente está a nossa espera.
O Cordeiro-Pastor apascenta e conduz para as águas da vida.
“Pois o Cordeiro que está no meio do trono será o pastor deles; vai conduzi-los até às fontes de água da vida. E Deus lhes enxugará toda lágrima dos olhos.” (Ap 7, 17)
Quem segue o Bom Pastor vai receber a recompensa. Apesar das tribulações. Não mais fome. Não mais sede.
Conclusão.
Poderemos transmitir a Boa Nova em primeiro lugar dentro do nosso âmbito familiar e, depois, fora dele a outros, e estes por sua vez a outros, em ondas sucessivas - como a pedra que cai no lago formando círculos concêntricos cada vez mais amplos. Assim a verdade a respeito de Jesus fica no seu verdadeiro lugar e se expande com os seus benéficos efeitos a toda pessoa e lugar. Penso que é anseio de todos nós que estas verdades não se detenham no nosso reduzido círculo, mas que se espalhem com toda a força e a ressonância de que estão dotadas. Anunciar o Bom Pastor. Anunciar a Igreja. Anunciar o fim das tribulações, tristezas, fome, sede, o fim das agruras da vida... "Deus enxugará toda lágrima dos olhos!"
Fonte: Mons. Antonio Romulo Zagotto
23/04/2010
A culpa é de quem?
Fervem nos meios de comunicação os escândalos provocados pelos abusos sexuais contra menores por parte de alguns do clero católico. De fato, esses crimes e gravíssimos pecados ferem também a Igreja seja pelo hediondo abuso, seja pelo ataque feroz dos que simplesmente a odeiam. Esses atiram para todos os lados, apontando como causa desse ato cruel o celibato (que nós padres LIVREMENTE aceitamos por amor ao Reino de Deus cf. Mt, 19, 12), e a omissão ou acobertamento de bispos e do Santo Padre.
Primeiramente, se o celibato fosse mesmo a causa da pedofilia, como ostentam os inimigos da Igreja, não haveria nenhum caso em que pais de família tenham cometido tais abusos contra menores. A verdade é que, no silêncio (graças a Deus quebrado em grande escala) dos lares de todo o mundo essa prática desumana vem acontecendo.
Certamente, o celibato é um grande sinal para o nosso tempo, marcado pelo hedonismo, por uma sexualidade egoísta, irresponsável e lucrativa. Há muitos celibatários diocesanos e religiosos que são vigorosos, alegres e fiéis a esse dom de Deus e fecundam a sociedade pelo seu eloquente seguimento e anúncio de Jesus Cristo. O problema não é o Celibato. O catecismo da Igreja nos diz nos números 1579 e 1580, na sequência:
"Todos os ministros ordenados da Igreja latina, à exceção dos diáconos permanentes, são normalmente escolhidos entre homens crentes que vivem celibatários e têm vontade de guardar o celibato «por amor do Reino dos céus» (Mt 19, 12). Chamados a consagrarem-se totalmente ao Senhor e às «suas coisas» (1 Cor 7, 12) dão-se por inteiro a Deus e aos homens. O celibato é um sinal desta vida nova, para cujo serviço o ministro da Igreja é consagrado: aceite de coração alegre, anuncia de modo radioso o Reino de Deus".
"Nas Igrejas orientais vigora, desde há séculos, uma disciplina diferente: enquanto os bispos são escolhidos unicamente entre os celibatários, homens casados podem ser ordenados diáconos e presbíteros. Esta prática é, desde há muito tempo, considerada legítima: estes sacerdotes exercem um ministério frutuoso nas suas comunidades (Concílio Vaticano II, Presbyterorum Ordinis). Mas, por outro lado, o celibato dos sacerdotes é tido em muita honra nas Igrejas orientais e são numerosos aqueles que livremente optam por ele, por amor do Reino de Deus. Tanto no Oriente como no Ocidente, aquele que recebeu o sacramento da Ordem já não pode casar-se".
Em segundo lugar, quanto à acusação de omissão e acobertamento da Igreja por parte de bispos. É verdade que em alguns casos de pedofilia noticiados pela imprensa há o histórico de omissão por parte dos bispos em questão. Não é essa a norma na Igreja (clique e saiba mais) Não se pode acusar toda a Igreja por isso.
Quanto à acusação de que o Papa tenha acobertado, mesmo antes do pontificado. Tal acusação é infundada, inaceitável e injusta. O papa Bento XVI tem enfrentado abertamente esse problema, manifestando seu horror e sentimento de traição (reação partilhada por toda a Igreja). Também se opõe a qualquer acobertamento. Como exemplo, cito sua Carta Pastoral aos Católicos da Irlanda (válida para todos os católicos do mundo inteiro) quando diz: "(...)uma preocupação inoportuna pelo bom nome da Igreja e para evitar os escândalos, levaram como resultado à malograda aplicação das penas canónicas em vigor e à falta da tutela da dignidade de cada pessoa. É preciso agir com urgência para enfrentar estes fatores, que tiveram consequências tão trágicas para as vidas das vítimas e das suas famílias e obscureceram a luz do Evangelho a tal ponto, ao qual nem sequer séculos de perseguição não tinham chegado" (n.4).
Uma coisa, portanto é noticiar fatos. Outra é usá-los para atacar quem também sofre pelos mesmos.
"A Igreja é como um grande corpo; quando um membro está doente, todo o corpo sofre. O bom é que os membros sadios, graças a Deus, são a imensa maioria! Também do clero! Por isso, ela será capaz de se refazer dos seus males, para dedicar o melhor de suas energias à Boa Notícia: para confortar os doentes, visitar os presos nas cadeias, dar atenção aos abandonados nas ruas e debaixo dos viadutos; para ser solidária com os pobres das periferias urbanas, das favelas e cortiços; ela continuará ao lado dos drogados e das vítimas do comércio de morte, dos aidéticos e de todo tipo de chagados; e continuará a acolher nos Cotolengos criaturas rejeitadas pelos “controles de qualidade” estéticos aplicados ao ser humano; a suscitar pessoas, como Dom Luciano e Dra. Zilda Arns, para dedicarem a vida ao cuidado de crianças e adolescentes em situação de risco; e, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá, ainda irá recolher nos lixões pessoas caídas e rejeitadas, para lavar suas feridas e permitir-lhes morrer com dignidade, sobre um lençol limpo, cercadas de carinho. Continuará a mover milhares de iniciativas de solidariedade em momentos de catástrofes, como no Haiti; a estar com os índios e camponeses desprotegidos, mesmo quando também seus padres e freiras acabam assassinados" (Dom Odilo Pedro Cardeal Scherer. Fonte: O Estado de São Paulo, 11/04/2010).
Mais que tergiversar sobre culpados e causas, precisamos socorrer as vítimas e curar esse mal social que não escolhe ideologia, religião e classe social.
Fonte:
Pe. Rogério Guimarães
Primeiramente, se o celibato fosse mesmo a causa da pedofilia, como ostentam os inimigos da Igreja, não haveria nenhum caso em que pais de família tenham cometido tais abusos contra menores. A verdade é que, no silêncio (graças a Deus quebrado em grande escala) dos lares de todo o mundo essa prática desumana vem acontecendo.
Certamente, o celibato é um grande sinal para o nosso tempo, marcado pelo hedonismo, por uma sexualidade egoísta, irresponsável e lucrativa. Há muitos celibatários diocesanos e religiosos que são vigorosos, alegres e fiéis a esse dom de Deus e fecundam a sociedade pelo seu eloquente seguimento e anúncio de Jesus Cristo. O problema não é o Celibato. O catecismo da Igreja nos diz nos números 1579 e 1580, na sequência:
"Todos os ministros ordenados da Igreja latina, à exceção dos diáconos permanentes, são normalmente escolhidos entre homens crentes que vivem celibatários e têm vontade de guardar o celibato «por amor do Reino dos céus» (Mt 19, 12). Chamados a consagrarem-se totalmente ao Senhor e às «suas coisas» (1 Cor 7, 12) dão-se por inteiro a Deus e aos homens. O celibato é um sinal desta vida nova, para cujo serviço o ministro da Igreja é consagrado: aceite de coração alegre, anuncia de modo radioso o Reino de Deus".
"Nas Igrejas orientais vigora, desde há séculos, uma disciplina diferente: enquanto os bispos são escolhidos unicamente entre os celibatários, homens casados podem ser ordenados diáconos e presbíteros. Esta prática é, desde há muito tempo, considerada legítima: estes sacerdotes exercem um ministério frutuoso nas suas comunidades (Concílio Vaticano II, Presbyterorum Ordinis). Mas, por outro lado, o celibato dos sacerdotes é tido em muita honra nas Igrejas orientais e são numerosos aqueles que livremente optam por ele, por amor do Reino de Deus. Tanto no Oriente como no Ocidente, aquele que recebeu o sacramento da Ordem já não pode casar-se".
Em segundo lugar, quanto à acusação de omissão e acobertamento da Igreja por parte de bispos. É verdade que em alguns casos de pedofilia noticiados pela imprensa há o histórico de omissão por parte dos bispos em questão. Não é essa a norma na Igreja (clique e saiba mais) Não se pode acusar toda a Igreja por isso.
Quanto à acusação de que o Papa tenha acobertado, mesmo antes do pontificado. Tal acusação é infundada, inaceitável e injusta. O papa Bento XVI tem enfrentado abertamente esse problema, manifestando seu horror e sentimento de traição (reação partilhada por toda a Igreja). Também se opõe a qualquer acobertamento. Como exemplo, cito sua Carta Pastoral aos Católicos da Irlanda (válida para todos os católicos do mundo inteiro) quando diz: "(...)uma preocupação inoportuna pelo bom nome da Igreja e para evitar os escândalos, levaram como resultado à malograda aplicação das penas canónicas em vigor e à falta da tutela da dignidade de cada pessoa. É preciso agir com urgência para enfrentar estes fatores, que tiveram consequências tão trágicas para as vidas das vítimas e das suas famílias e obscureceram a luz do Evangelho a tal ponto, ao qual nem sequer séculos de perseguição não tinham chegado" (n.4).
Uma coisa, portanto é noticiar fatos. Outra é usá-los para atacar quem também sofre pelos mesmos.
"A Igreja é como um grande corpo; quando um membro está doente, todo o corpo sofre. O bom é que os membros sadios, graças a Deus, são a imensa maioria! Também do clero! Por isso, ela será capaz de se refazer dos seus males, para dedicar o melhor de suas energias à Boa Notícia: para confortar os doentes, visitar os presos nas cadeias, dar atenção aos abandonados nas ruas e debaixo dos viadutos; para ser solidária com os pobres das periferias urbanas, das favelas e cortiços; ela continuará ao lado dos drogados e das vítimas do comércio de morte, dos aidéticos e de todo tipo de chagados; e continuará a acolher nos Cotolengos criaturas rejeitadas pelos “controles de qualidade” estéticos aplicados ao ser humano; a suscitar pessoas, como Dom Luciano e Dra. Zilda Arns, para dedicarem a vida ao cuidado de crianças e adolescentes em situação de risco; e, a exemplo de Madre Teresa de Calcutá, ainda irá recolher nos lixões pessoas caídas e rejeitadas, para lavar suas feridas e permitir-lhes morrer com dignidade, sobre um lençol limpo, cercadas de carinho. Continuará a mover milhares de iniciativas de solidariedade em momentos de catástrofes, como no Haiti; a estar com os índios e camponeses desprotegidos, mesmo quando também seus padres e freiras acabam assassinados" (Dom Odilo Pedro Cardeal Scherer. Fonte: O Estado de São Paulo, 11/04/2010).
Mais que tergiversar sobre culpados e causas, precisamos socorrer as vítimas e curar esse mal social que não escolhe ideologia, religião e classe social.
Fonte:
Pe. Rogério Guimarães
Os Enfrentamentos
OS ENFRENTAMENTOS
IIIº DOMINGO DA PÁSCOA
1. Introdução.
Na nossa caminhada pascal nos deparamos várias vezes com o Ressuscitado. Hoje nos encontramos com Ele no dia-a-dia, na missão e no céu. Uma caminhada de verdade. O Ressuscitado nos ajuda a enfrentar o mar, a nos lançar para os desafios da evangelização e da missão para alcançarmos a bem-aventurança eterna. A Eucaristia que nos reúne vai nos abastecer com a força para esta caminhada.
2. Estou de volta pro meu aconchego.
“Eu vou pescar” Eles disseram: “Também vamos contigo” (Jo 21, 3)
Pedro parece desistir do seguimento. Voltar à vida de pescador. O fracasso da cruz parece abater a todos. Voltar à antiga condição, ao antes de conhecer Jesus. Tentados a abandonar tudo! Voltar à pescaria, atividade antiga... Voltar a Emaús, morada antiga... Essa também a nossa tentação. Só teremos segurança se enraizados na Comunidade. Com a Palavra e com a Eucaristia. Assim poderemos sair e anunciar ao mundo a condição nova para a humanidade: uma sociedade de ressuscitados, na dignidade de filhos e filhas de Deus. O Ressuscitado, na praia acena para eles que é hora de recomeçar. A pesca se torna abundante, pois Ele está presente. E os abastece com o alimento. O cristão abastecido pela Eucaristia vai enfrentar as dificuldades do dia-a-dia.
3. Bem aventurados os perseguidos...
Os apóstolos saíram do Conselho, muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus. (At 5, 41)
O enfretamento das dificuldades não desanima o apóstolo. Mesmo torturados não desistem. Têm consciência de sua tarefa: “É preciso obedecer a Deus, antes que os homens.”. O projeto não e deles: é de Deus! E assumem na prática o que já dizia a bem-aventurança: “Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim.” (Mt 5,11). Assim ontem com a Igreja. Assim hoje com a Igreja. Perseguida, caluniada, ofendida, mas seguindo firme, cumprindo as propostas do Ressuscitado.
4. Sou cidadão do infinito...
Eram milhares de milhares, milhões de milhões... (Ap 5, 11)
E depois seremos recompensados. Basta manter a fidelidade. Faremos parte da multidão que vai estar diante do Cordeiro.
5. Conclusão
Nossa caminhada deve seguir esses passos: encontrar-se com o Ressuscitado, assumir a sua proposta de maneira concreta na missão para alcançarmos a recompensa prometida. Será uma luta constante. Mas é preciso perseverar. Ele não nos aponta facilidades, mas enfrentamentos – porta estreita, cruz, perseguição... “Vocês serão odiados de todos, por causa do meu nome. Mas, quem perseverar até o fim, esse será salvo.” (Mt 10, 22).
Obs. Quando se lê o texto mais longo Jo 21, 15-19 – Muitos vêem na tríplice declaração de amor um resgate da tríplice negação de Pedro. Eu penso que não. Jesus já o tinha perdoado. Não ia encostá-lo na parede para botar o dedo na ferida. A tríplice declaração de amor é para a sua missão: “Apascenta...” (Jo 21,15ss). Quem vai apascentar tem que ter muito amor...
Fonte:CI170410
Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br
IIIº DOMINGO DA PÁSCOA
1. Introdução.
Na nossa caminhada pascal nos deparamos várias vezes com o Ressuscitado. Hoje nos encontramos com Ele no dia-a-dia, na missão e no céu. Uma caminhada de verdade. O Ressuscitado nos ajuda a enfrentar o mar, a nos lançar para os desafios da evangelização e da missão para alcançarmos a bem-aventurança eterna. A Eucaristia que nos reúne vai nos abastecer com a força para esta caminhada.
2. Estou de volta pro meu aconchego.
“Eu vou pescar” Eles disseram: “Também vamos contigo” (Jo 21, 3)
Pedro parece desistir do seguimento. Voltar à vida de pescador. O fracasso da cruz parece abater a todos. Voltar à antiga condição, ao antes de conhecer Jesus. Tentados a abandonar tudo! Voltar à pescaria, atividade antiga... Voltar a Emaús, morada antiga... Essa também a nossa tentação. Só teremos segurança se enraizados na Comunidade. Com a Palavra e com a Eucaristia. Assim poderemos sair e anunciar ao mundo a condição nova para a humanidade: uma sociedade de ressuscitados, na dignidade de filhos e filhas de Deus. O Ressuscitado, na praia acena para eles que é hora de recomeçar. A pesca se torna abundante, pois Ele está presente. E os abastece com o alimento. O cristão abastecido pela Eucaristia vai enfrentar as dificuldades do dia-a-dia.
3. Bem aventurados os perseguidos...
Os apóstolos saíram do Conselho, muito contentes, por terem sido considerados dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus. (At 5, 41)
O enfretamento das dificuldades não desanima o apóstolo. Mesmo torturados não desistem. Têm consciência de sua tarefa: “É preciso obedecer a Deus, antes que os homens.”. O projeto não e deles: é de Deus! E assumem na prática o que já dizia a bem-aventurança: “Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim.” (Mt 5,11). Assim ontem com a Igreja. Assim hoje com a Igreja. Perseguida, caluniada, ofendida, mas seguindo firme, cumprindo as propostas do Ressuscitado.
4. Sou cidadão do infinito...
Eram milhares de milhares, milhões de milhões... (Ap 5, 11)
E depois seremos recompensados. Basta manter a fidelidade. Faremos parte da multidão que vai estar diante do Cordeiro.
5. Conclusão
Nossa caminhada deve seguir esses passos: encontrar-se com o Ressuscitado, assumir a sua proposta de maneira concreta na missão para alcançarmos a recompensa prometida. Será uma luta constante. Mas é preciso perseverar. Ele não nos aponta facilidades, mas enfrentamentos – porta estreita, cruz, perseguição... “Vocês serão odiados de todos, por causa do meu nome. Mas, quem perseverar até o fim, esse será salvo.” (Mt 10, 22).
Obs. Quando se lê o texto mais longo Jo 21, 15-19 – Muitos vêem na tríplice declaração de amor um resgate da tríplice negação de Pedro. Eu penso que não. Jesus já o tinha perdoado. Não ia encostá-lo na parede para botar o dedo na ferida. A tríplice declaração de amor é para a sua missão: “Apascenta...” (Jo 21,15ss). Quem vai apascentar tem que ter muito amor...
Fonte:CI170410
Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br
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