12/07/2010

RETRATO FALADO - .XV DOMINGO DO TEMPO COMUM

Introdução.
A cada Domingo nos encontramos com o Ressuscitado e com nossos irmãos e irmãs. Com esse grupo seleto com quem convivemos parece ser fácil partilhar e conviver. Nossas relações, dentro da Comunidade são facilitadas pela rapidez do encontro e pelo descompromisso de uma convivência mais prolongada. A Comunidade artificial na qual convivemos, cantamos, rezamos, nos cumprimentamos não cria laços de fraternidade, partilha e solidariedade. Saímos daqui e nos tornamos desconhecidos, continuando a viver a nossa vidinha...

No nosso alcance. Ao contrário, esta palavra está bem ao teu alcance, está em tua boca e em teu coração, para que a possas cumprir. (Dt 30, 14)
Deus quer fazer o povo seguir os mandamentos. Coisas simples e possíveis para qualquer ser humano. Deus não exige de nós coisas impossíveis. “... não é difícil demais e nem está fora do teu alcance.” (Dt 30, 11). Jesus mesmo vai dizer que os mandamentos todos se resumem de uma maneira prática e sintética: “Ame ao Senhor seu Deus com todo o seu coração, com toda a sua alma, e com todo o seu entendimento. Esse é o maior e o primeiro mandamento. O segundo é semelhante a esse: Ame ao seu próximo como a si mesmo. Toda a Lei e os Profetas dependem desses dois mandamentos.” (Mt 22, 37-40). Basta isso!


Cristo imagem de Deus. Próximo imagem de Cristo. “Cristo é a imagem do Deus invisível.” (Cl 1, 15).
Gosto de parafrasear a palavra de Jesus para Filipe: “Faz tanto tempo que estou no meio de vocês, e você ainda não me conhece, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que você diz: ‘Mostra-nos o Pai’?” (Jo 14, 9). QUEM ME VIU, VIU JESUS? Se Jesus é a imagem do Pai, e se o próximo é a de Jesus, necessariamente devemos ver Jesus nos outros. E também nós devemos retratar Jesus.


Retrato falado. “E quem é o meu próximo?” (Lc 10, 29)
O terceiro texto é o belo texto da parábola do Bom Samaritano: “Mas um samaritano, que estava viajando, chegou perto dele, viu, e teve compaixão.” (Lc 10,33) O sacerdote passa de nariz empinado e vai para o templo. O levita a mesma coisa. O samaritano não! Teve compaixão. Larga seu projeto e se mistura ao homem todo quebrado. Que nem conhecia! Cuida primeiro daquele lascado da vida e só depois de tudo acertado continua sua viagem. Um comentário sobre o verbete compaixão me chamou a atenção. Alguém escreveu: “Ter compaixão é jogar-se na lama com aquele que está todo enlameado.” Penso que resume bem o que é ter compaixão. Fazer como Deus. Enlameou-se com a nossa lama: desceu, esvaziou-se, teve compaixão. Que seria de nós se Ele não tivesse tido compaixão de nós? E quantos que precisam que também nós tenhamos coragem de padecer com eles. Padecer juntos. Muitas vezes sem dizer nada. Apenas estar presente no momento da dor. Ser presença. Isso basta! Saber que alguém está comigo no momento em que mais preciso será consolador. Vamos descer, vamos nos esvaziar, vamos ter compaixão. O mundo será diferente. Nós seremos diferentes!

Conclusão.
A Palavra de Deus nos mostra o caminho para o outro. Num mundo onde se preconiza o egoísmo, o fechamento, o individualismo, Jesus vem propor uma nova maneira de se viver. Tenho dito nas Comunidades que o modo de viver do mundo é assim: tenho um pão e esse pão é só meu. O modo de viver do cristão é diferente: tenho um pão e esse pão é nosso! Repartido, partilhado, solidarizado... Se vivêssemos assim o mundo seria diferente.


Fonte: Mons. Antonio Romulo Zagotto

catedral@dci.org.br

05/07/2010

ENVIADOS AO ANÚNCIO.XIV DOMINGO TEMPO COMUM

1.Introdução.O tema deste domingo é atualíssimo. Somos chamados a ser discípulos/missionários. A Conferência de Aparecida nos acenava para isso. A Igreja do Brasil nos acena para isso nas novas Diretrizes. Nossa Diocese nos fala da centralidade da Palavra de Deus, com seus desdobramentos na missão e no serviço da caridade. Nosso Regional II, por meio do Projeto Anjo faz um apelo à missão, pontual e permanente, como uma das propostas de reavivamento de nossas Comunidades Eclesiais.

1.Construção lenta. “Eis que farei correr para ela a paz como um rio.” (Is 66, 12).Depois da volta do Exílio da Babilônia se faz necessário reconstruir Jerusalém e o templo. Mas a coisa é difícil. Muita pobreza. Muita invasão inimiga. Muita discórdia entre o povo... Neste quadro de restauração, o objetivo fundamental do profeta é “consolar” esse povo martirizado, sofrido, angustiado, que não vê grandes perspectivas de futuro e já perdeu a esperança. O profeta vem plantar esperança no coração do povo. A promessa é para aqueles que confiam no Senhor e para os que acolhem sua mensagem. “Tudo isso havereis de ver e o vosso coração exultará, e o vosso vigor se renovará como a relva no campo.” (Is 66,14).

1.Anunciar a cruz. “Trago em meu corpo as marcas de Jesus.” (Gl 6, 17)Aos que queriam um outro projeto Paulo anuncia a cruz. Não ficar mais ligado ao passado (circuncisão). Criação nova! Criaturas novas! Homens novos! Expressões tão caras a Paulo que nos incentivam a continuar a enfrentar os desafios. Paulo não tem medo de apresentar a cruz de Jesus. Ele mesmo sentindo na carne as marcas da paixão de Jesus. Não podemos desanimar. Também nós marcados pelo sinal da cruz (batismo) devemos levar adiante as propostas do Reino.

1.Todos chamados. “A vossa paz repousará sobre ele.” (Lc 10, 6)Messe grande. Operários poucos. Não é um pequeno grupo que é enviado. Setenta e dois. Número alusivo a Gn 10 (na versão grega do Antigo Testamento), onde esse número se refere à totalidade das nações pagãs que habitam a terra. Significa, portanto, que a proposta de Jesus é uma proposta universal, destinada a todos os povos, de todas as raças. O anuncio é muito claro: “O Reino de Deus está próximo de vós.” (Lc 10, 9). E as ações são as mesmas ações de Jesus: não ter nada, curar os doentes, aceitar hospedagem... O discípulo/missionário é chamado a continuar a missão de Jesus. O convite é feito a cada um de nós.

1.ConclusãoA Eucaristia é a fonte de vitalidade para todos nós. A Páscoa celebrada semanalmente nos ajuda a perceber que Jesus venceu a morte. Não podemos desanimar. Aparentemente parece que há um avanço do mal. Mas Jesus venceu o mal. Jesus venceu a morte. Aqui nos recarregamos para o enfrentamento diário e para anunciar esse novo tempo. Cantamos sempre: Enviai, enviai Senhor, enviai Senhor operários. Para a vossa messe, vossa messe... Pois a messe é grande. Pois a messe é grande e poucos são os operários. Operários enviai Senhor... Coloquemos no nosso coração essa certeza de que também somos chamados. Todos!


Fonte: Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br

21/06/2010

UMA CARTEIRA DE IDENTIDADE

Introdução.
Quando nos perguntam sobre Jesus nem sempre temos respostas seguras. Contentamos-nos com a superficialidade de nossos conhecimentos iniciais de religião. Afinal quem é Jesus? O povão vai responder fazendo comparações – João Batista, Elias, um antigo profeta... Mas o discípulo, quem está perto, quem convive qual a resposta deve dar? “O Cristo de Deus.” Parece ser simplista. Mas não é. Tem o peso de toda a promessa cumprida por Deus para nos dar o Messias prometido. A palavra Cristo significa Ungido, do hebraico Messias. De Deus. Não auto-proclamado, mas revestido da autoridade divina. O que dá a Ele toda condição de ser o Redentor da humanidade. Tudo aponta para a cruz!

Promessas.
O texto da 1ª leitura (Zc 12, 10-11;13,1) faz uma promessa da regeneração espiritual do povo de Israel. Faz-nos perceber que vão chorar Jesus que levaram à morte. Mas essa morte é purificadora. Jesus, o prometido, vai sem medo em direção à cruz, pois sabe que é dali que vai brotar a salvação para a humanidade. O Espírito derramado (lembra Pentecostes!) de graça e de consolação, de piedade e súplica, para a ablução e purificação. Tudo isso brota da cruz.

Identidade.
a) Uma primeira pergunta: “Quem diz o povo que sou eu?” (Lc 9, 18).
João Batista, Elias, algum profeta antigo... A fantasia do povo até hoje não tem segurança de quem é Deus. Colam nele os mais diversos fenômenos naturais, paranormais e sobrenaturais. Se chover: é Deus quem manda. Um desastre: é Deus quem quer. Uma doença grave: é da vontade de Deus...
b) Uma pergunta para aos apóstolos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Lc 9, 20)
Uma resposta que compromete: “O Cristo de Deus”. Mas não basta declarar e aceitar que Jesus é o Messias; é preciso rever a idéia a respeito do Messias, o qual, para construir a nova história, enfrenta os que não querem transformações.
c) Um balde de água fria: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar no terceiro dia.” (Lc 9, 22)
Não adiante ficar entusiasmado e pensando ser esse o momento da conquista do poder material. Por isso, Jesus apresenta outra proposta: Ele vai sofrer, ser rejeitado e morto. Sua ressurreição será a sua vitória. E quem quiser acompanhar Jesus na sua ação messiânica e participar da sua vitória, terá que percorrer caminho semelhante: renunciar a si mesmo e às glórias do poder e da riqueza.

Três passos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome cada dia a sua cruz, e me siga.” (Lc 9, 23).
a) Renuncia:
Deixar de lado os projetos humanos e assumir os projetos de Jesus. Jesus não que o poder material. Quer que o Reinado aconteça. Para isso é preciso conversão. “Eu vivo, mas já não sou eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (Ga 2,20).
b) Tomar a cruz de cada dia
A cruz aqui não é o sofrimento, as dores, as doenças. É assumir o projeto de Jesus para a salvação da humanidade. Como Cirineu, devemos assumir o levar o projeto de Jesus, junto com Ele para sermos também redentores da humanidade.
c) Seguimento
Na prática assumir o que Aparecida quer de nós. Discípulos = seguidores do Mestre. Missionários = propagadores da Boa Noticia do Mestre.

Conclusão.
A celebração eucarística é o momento privilegiado em que começamos a encarar a vida com lucidez e realismo. A celebração da morte do Senhor nos faz constatar que era necessário que ele morresse, mas que a morte conduz à vida. A assembléia eucarística faz sua essa aceitação da morte, para triunfar dela. Nosso compromisso não é seguir Jesus no triunfalismo, mas na proposta da implantação do Reino.

Fonte:Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br

14/06/2010

O SENHOR É MISERICÓRDIA E COMPAIXÃO

XIº DOMINGO DO TC

Introdução
No Domingo passado estávamos diante do poder ressuscitador de Deus por meio de Elias e por meio de Jesus. Hoje nos deparamos com o poder perdoador de Deus. Nesse domingo ainda fazemos eco à festa do Sagrado Coração de Jesus, celebrada nesta última sexta-feira. A misericórdia de Deus se manifesta na história da humanidade e na história de cada um de nós. O grande sinal do perdão de Deus é Jesus. Como nos diz Paulo: “Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando ainda éramos pecadores” (Rm 5,8). Ou como no texto de hoje: Eu vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim. Esta minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé, crendo no Filho de Deus, que me amou e por mim se entregou. (Gl 2, 20). Deus se compadece da humanidade e reata os laços rompidos pelo pecado, enviando seu próprio Filho para unir de novo a humanidade com Deus. E este reatamento se dá na cruz. Este é o preço pelo qual fomos resgatados! Uma visão de um Deus que condena é uma visão distorcida de Deus. Deus é misericórdia e compaixão. Fazer esta experiência de Deus misericórdia e compaixão é acolher o Deus revelado por Jesus.

Misericórdia Senhor, misericórdia...
Davi é acusado de pecado. Sabemos por quê: articulou um perverso golpe para ficar com a mulher de Urias, seu general. A historinha que Natã conta a Davi e que não está no texto anunciado é muito interessante. Começa assim: “O Senhor mandou o profeta Natã falar com Davi. Natã se apresentou e disse a Davi: ‘Havia dois homens numa cidade: um era rico e o outro era pobre. O rico tinha muitos rebanhos de ovelhas e bois. O pobre tinha só uma ovelha, uma ovelhinha que ele havia comprado. O pobre a criava e ela foi crescendo com ele, com seus filhos, comendo do seu pão, bebendo de sua vasilha e dormindo no seu colo. Era como filha para ele. Ora, chegou uma visita à casa do homem rico, e este não quis pegar nenhuma de suas ovelhas ou vacas para servir ao viajante que o visitava. Então ele pegou a ovelha do homem pobre e a preparou para a sua visita’. Davi ficou furioso contra esse homem, e disse a Natã: ‘Pela vida do Senhor quem fez isso merece a morte. Por não respeitar o que pertencia a outro, deverá pagar quatro vezes o valor da ovelha’”. (2Sam 12, 1-5). A partir daqui dá para entender o inicio da primeira leitura e seus desdobramentos.

“Quem é este que até perdoa pecados?”
A mulher pecadora pública é acusada de pecado. O núcleo central do Evangelho de hoje são os versículos 48-50 – “E Jesus disse à mulher: ‘Seus pecados estão perdoados. ’ Então os convidados começaram a pensar: ‘Quem é esse que até perdoa pecados? ’ Mas Jesus disse à mulher: ‘Sua fé salvou você. Vá em paz!’”.(Lc 7, 48-50). Diante de Jesus estão o fariseu e a mulher. Ele conhece a vida do fariseu e da mulher. Só que o fariseu tem o coração fechado. A mulher não! A mulher tem um encontro de amor e perdão, e, na fé, encontra salvação.

Conclusão
O Senhor é misericórdia e compaixão. Apesar de nossos pecados Ele vem ao nosso encontro com o perdão. Fez assim para com o seu povo. Fez assim para com a humanidade. Faz assim com cada um de nós. Basta o arrependimento. Deus está sempre pronto a perdoar. As histórias do capitulo 15 de Lucas (A ovelha perdida, a moeda perdida e o filho perdido) nos ajudam a perceber como Deus age diante do pecado. O perdão é sempre uma festa! Basta que tenhamos o arrependimento de Davi e a coragem da mulher em ir à busca do perdão.


Fonte: Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br

07/06/2010

DEUS É O DEUS DA VIDA!

Introdução:
Neste Domingo, ao retomarmos a caminhada litúrgica dos Domingos do Tempo Comum, nos deparamos com o mistério da morte. Algo sem explicação humana, mas com uma conotação transcendente na dimensão da fé. Em nossas cidades existem muitos caminhos que levam morte. Caminhos para todas aquelas formas e estilos de vida que privilegiam a chamada “cultura da morte”. Cultura que assassina principalmente nossos jovens, que mata nossas crianças e que coloca nossa vida em constante risco. São jovens que colocam suas vidas no limite; arriscam-se em carros e motos em nossas rodovias e estradas. São crises emocionais que terminam em tragédias. São também caminhos de morte a crescente desestruturação em tantas famílias, que transformam suas casas em brigas, discussões, desilusões, depressão e muita violência que, não poucas vezes, também termina em morte. É preciso reverter esses caminhos.

Sinais de Esperança
Elias é um homem de Deus. Capaz de restituir a vida onde ela já não mais existia. Jesus é o grande profeta que vem restituir a vida, diante do cortejo da morte. Deus não quer a morte. A vontade de Deus é que todos tenham vida e vida plena (cf Jo 10,10). Homens de Deus, profetas que anunciam uma condição nova para a humanidade. Infelizmente a humanidade construiu para si um fosso que leva à morte. Deus quer reverter esse caminho. E somos nós hoje a anunciar essa possibilidade a todos.

Eucaristia, fonte de vida.
Quando nos reunimos para celebrar a Eucaristia, nos reunimos para celebrar a vida. “Eu sou o pão da vida” (Jo 6, 35) diz Jesus que nos alimenta. O alimento que aqui recebemos é fonte de vida. Pela sua morte-ressurreição, memória que fazemos na Eucaristia celebrada, Jesus quer de nós continuadores de sua missão. Como Elias devemos estar levando esperança e vida verdadeiras, pois o verdadeiro profeta não é portador da morte para o povo. O sinal de que o profeta anuncia a palavra de Deus é o fato de ele ser portador de vida. Jesus ao ressuscitar o filho da viúva vem anunciar um novo tempo: onde não haverá mais morte, mais dor, mais desolação.

Concluindo.
Diante de nós estão dois caminhos: um que leva à morte e outro que leva à vida. Mais ainda: podemos estar conduzindo as pessoas à morte ou conduzindo para a vida. Fazer opção pela “cultura da morte” é optar pela violência, pelas drogas, pelos carros e motos em alta velocidade... Jesus se apresenta como caminho verdade e vida!(cf Jo 14,6). Ele é vida! E quer que sejamos instrumentos de vida. Nossa Eucaristia deve se traduzir em gestos concretos que produzam vida. Salvar vidas – esta é a tarefa de cada um de nós. Vidas humanas e a natureza. Eucaristia na prática.

Fonte:
Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br

07/05/2010

Pés no Chão

VIº DOMINGO DA PÁSCOA

1. Introdução
Estamos chegando ao fim de nossa caminhada neste tempo litúrgico Pascal. Vamos começar um novo momento na liturgia. Daqui a pouco ouviremos os adeuses de Jesus, estaremos na expectativa do Espírito Derramado e vamos continuar remando. Mais ou menos como na exclamação de Samuel: “... até aqui nos ajudou o Senhor”. (I Sam 7,12). Mais ou menos porque sabemos que Ele não nos deixa “ao Deus dará”. Ele nos toma pela mão, Ele nos conduz, Ele nos dá seu Espírito, Ele está no meio de nós. Chegou a hora de entendermos que as coisas a serem assumidas devem ser assumidas na comunhão, diante da realidade que nos cerca. Não adianta muito teorizar. É preciso por em prática as propostas do Ressuscitado. Pés no chão.

2. “Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” (Jo 14, 27)
O texto está dentro do chamado primeiro discurso de adeus ou da consolação. São aconselhamentos para que sejam seguidos depois da partida. A proposta é de encorajamento. Jesus sabe o que vai enfrentar. Jesus sabe o que vamos enfrentar. Por isso é preciso guardar a sua palavra, aguardar o Espírito Consolador, acolher a paz no meio de toda essa turbulência. E ter a certeza em nosso coração: “Vou, mas voltarei a vós.” (Jo 14, 28)

3. “Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo,...” (At 15, 28)
A organização da Igreja enfrenta o primeiro grande conflito. Manter as tradições dos judeus ou abrir mão de tudo para acolher os pagãos convertidos? A questão básica é ser fiel à unidade, manter a comunhão. Não poderia existir cristão de primeira categoria que veio do judaismo e de segunda categoria que veio do paganismo. Pés no chão! O que se quer é autenticidade. Afastar-se daquilo que é do mundo. E os apelos do mundo hoje são constantes: são os chamados contra valores do Evangelho. Agir na liberdade dos filhos de Deus (cf Rom 8, 21) e não na busca de “valores” que não estão em sintonia com o Reino. Basta lembrar as propostas da CF/2010 – Economia e Vida – “Voces não podem servir a Deus e ao Dinheiro”. (Mt 6, 24)

4. Mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, de junto de Deus,... (Ap 21,10)
A bela proposta de Apocalipse nos sugere a necessidade de já construirmos aqui uma cidade onde haja condições de Vida. Na verdade não uma cidade, mas o Reino de Deus implantado entre nós. A luz é Jesus. O templo é Jesus. As leis que regem esta nova condição nem estão lá no alto (inalcançável) e nem nas condições puramente humanas (cheia de contra valores). É obrigação nossa construir essa nova realidade, de acordo com o traçado de Deus.

5. Conclusão
A liturgia de hoje nos sugere por mãos à obra. Como os Apóstolos: sair de Jerusalém, enfrentar os desafios e espalhar a Boa Nova do Reino para as atuais Frigias, Panfílias, Antioquias, Sírias, Cilicias... Nossa Pastoral da Cidade quer de nós um novo modo de enfrentamento. Não mais judeus circuncidados e pagãos neo-convertidos, mas desafios ainda maiores. Pés no chão. Conosco caminha, para nos ajudar a enfrentar as tempestades o Espírito Prometido. Não estamos sozinhos!

Fonte:Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br

30/04/2010

Carteira de Identidade

Vº DOMINGO DA PÁSCOA

1. Introdução.
Nossa caminhada pascal vai ao encontro das coisas concretas acontecidas por causa da Ressurreição. A primeira Comunidade entendeu que não poderia ficar apenas na contemplação estática do Ressuscitado, mas era preciso arregaçar as mangas e fazer com que o projeto dEle fosse executado. Como Deus “escreve certo por linhas tortas”, aproveitou-se da perseguição aos cristãos depois da morte de Estevão para provocar a diáspora cristã – fugiram de Jerusalém e foram levar a Boa Nova aos vizinhos... O rosto do Ressuscitado deve ser o nosso rosto. A identidade do Ressuscitado deve ser a nossa identidade. A ação do Ressuscitado deve ser a nossa ação.

2. Identidade.
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros”. (Jo 13,35)
A insistência do amor na proposta de Jesus, sobretudo nesta sentença, mostra que seremos identificados pela maneira como nos relacionamos. Ser discípulo, ser seguidor se amar. Amar uns aos outros. Só assim seremos seguidores do Mestre. A Igreja quer de nós hoje que sejamos discípulos/missionários. E a Carteira de Identidade será o amor. Segundo conta Tertuliano (Apolog. 39), os primeiros cristãos tomaram tão a sério estas palavras do Senhor, que os pagãos exclamavam admirados: “Vejam como eles se amam!”. Isso era motivo de conversão dos pagãos.

3. Semeando Comunidades.
“Contaram-lhe tudo o que Deus fizera por meio deles e como havia aberto a porta da fé para os pagãos.” (At 14, 27)
A diáspora cristã faz com que se saia de Jerusalém e se leve a proposta de Jesus para os povos vizinhos. Isso ajuda a expansão do cristianismo. Sobretuto Paulo tem esse ardor em fundar Comunidades, viajar, escrever cartas, organizar as coordenações nos diversos lugares. Mas isso não é fácil. “Encorajando os discípulos, eles os exortavam a permanecerem firmes na fé, dizendo-lhes: ‘É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus.’” (At 14, 22).

4. Metamorfose.
“Deus enxugará toda lágrima dos seus olhos. A morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem choro, nem dor, porque passou o que havia antes”. (Ap 21, 4)
A leitura continuada de Apocalipse nesse tempo pascal nos estimula ao enfrentamento das dificuldades. Escrito no tempo das primeiras perseguições, descreve como a Igreja era perseguida. Muitas Comunidades até desapareceram. Mas os que perseveram são consolados por Deus. Um tempo novo, “um novo céu e uma nova terra” – (2 Pd 3,13 e Ap 21,1). Transformados para transformar.

5. Conclusão.
“Eis que faço novas todas as coisas” (Ap 21, 5)
Tudo o que ouvimos hoje na Palavra de Deus merece ser transformado em prática na nossa vida. Viver de verdade o AMOR. No sentido pleno. Dando testemunho. Não só em palavras mas em ações concretas. E sobretudo sendo discipulos/missionários, anunciando a Boa Notícia de Jesus. E estaremos então criando condições para acontecer um novo céu e uma nova terra, sendo agentes para tornar novas todas as coisas.

Fonte: Mons. Antonio Romulo Zagotto
catedral@dci.org.br